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Especialistas falam sobre o crescimento correto do rosto

Segundo o professor Gerson I. Köhler, a crença popular é de que o rosto da criança será exatamente aquilo que está escrito no código genético, mas a verdade não é bem essa.

Logo ao nascer, os fatores ambientais começam a agir sobre a criança e vão – também – influenciar a maneira como a sua face se desenvolverá, principalmente na região denominada dentofacial, que inclui a boca. A afirmação é do ortodontista e ortopedista facial, Gerson Köhler, membro da ABOR – Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial – que informa ser possível administrar esse jogo de estímulos, desde que a intervenção terapêutica normalizadora seja em idade precoce, o que não significa a utilização de nenhum tipo de aparelho corretivo.

Aduzem os especialistas da Köhler Ortofacial que existe um método de acompanhamento do crescimento do rosto infantil denominado “ Monitoração Ortopédica da Face Pediátrica – MOFP” – que deve ser prescrito e iniciado  o mais cedo possível, pois é nos primeiros anos de vida que os traços e tendências de crescimento se consolidam.

Pesquisas de Centros de Crescimento Facial nos Estados Unidos mostraram que cerca de 60% do crescimento facial já está completo aos quatro anos de idade, e 90%, aos 12.O que os números indicam é que a chance de interferência clínica normalizadora vai diminuindo progressivamente. “O potencial terapêutico é melhor aproveitado quando a intervenção clínica se dá no momento certo. Infelizmente ainda existe a crendice de que  o mais correto – em termos de alterações de crescimento dentofacial –  é esperar até a adolescência para procurar um especialista, mas nisso o problema vai se agravando progressivamente e o nível de dificuldade para tratar e normalizar pode se tornar operacionalmente mais complexo. Perdem-se os chamados estirões (épocas de aceleração) do crescimento da face”, afirma Juarez Köhler, especialista associado da Köhler Ortofacial.

Mesmo antes de a criança apresentar níveis de colaboração para a normalização das funções e formas do rosto – o que só ocorre por volta do período pré-escolar – as variáveis nocivas e alteradoras de forma e funções que estejam presentes devem ser monitoradas e excluídas ou – pelo menos – minimizadas. Isto costuma ser levado a efeito em contexto interdisciplinar médico-odontológico-fonoaudiológico, num trabalho clínico multi-inter-profissional muito importante para a futura formação morfológica e estética da face infantil.

O monitoramento facial  – especialmente da região dentofacial, que responde por cerca de um terço do tamanho total do rosto – é feito nos mesmos moldes dos realizados por médicos pediatras. O foco, no entanto, neste caso, é a saúde, harmonia e beleza facial. Perceber desvios que estejam ocorrendo na formação do rosto infantil não é simples, exige um profundo conhecimento do complexo e continuado processo de crescimento craniofacial, que exige, por sua vez,  observação e cuidados periódicos.

As chamadas curvas de crescimento infantil e a relação da maturidade óssea com a idade cronológica são variáveis importantes a serem observadas.”Regularmente, recebemos os pacientes para avaliar como estão crescendo, sempre de olho nas estruturas faciais e nas funções, como mastigação, respiração, deglutição e a fala”, explica Juarez Köhler, ortopedista facial e responsável pelo MOFP, na clínica Kohler Ortofacial.

Tanta precaução se explica pela forma como o rosto da criança é facilmente modificado. Hábitos como chupar o dedo, usar mamadeira ou chupeta por tempo demasiado (além dos 3 anos) e respirar pela boca utilizam de forma inadequada os músculos faciais que, com o tempo, acabam alterando os ossos aos quais se prendem. Os ossos são extremamente maleáveis na sua plasticidade na fase infantil e – ao tempo que crescem – são moldados pelo trabalho muscular. Se a ação muscular está inadequada, a base óssea também ficará. Somente o olhar especializado pode perceber os erros no crescimento progressivo da face da criança.

Os pais só costumam  notar que há algo fora do normal quando a deformação já está estabelecida. “Muitas vezes, só observar o paciente abrindo e fechando a boca já dá indícios dos níveis de assimetria que esteja se instalando no rosto da criança”, esclareceo professor Gerson Köhler, com base não só em sua atividade clínica, mas também em seu longo período de docência na formação de pós-graduados em suas especialidades.

Tudo isto considerado, é importante frisar, para pais de crianças ainda em fase pré-escolar, que fiquem atentos para o que ocorre de diferente no rosto de seus pequenos, principalmente na área dentofacial, inclui a boca e seus conteúdos, dentes e língua. Notando algo estranho – ai incluida a respiração feita incorretamente pela boca – é necessário procurar um especialista de sua confiança. Desta maneira, atuando nos momentos certos para evitar incorreções no crescimento facial é que será possível  evitar alterações que podem tornar o rosto infantil desarmonioso, o que, convenhamos, tem sérias repercussões sobre a auto-imagem e auto-estima dos pequenos. Importante notar que alterações dentofaciais podem conduzir, já no período escolar (se não evitadas antes disso) a apelidos inadequados e até a bulling, podendo deixar a criança estimagtizada e com complexos que alteram significativamente seu bem-estar e qualidade de vida.

Fontes consultadas:

Juarez Köhler e Gerson I. Köhler são membros especialistas da ABOR – Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial, entidade vinculada internacionalmente à WFO – World Federation of Orthodontists, nos EUA.

Craniofacial morphology and dental maturity in children with reduced somatic growth of different aetiology and the effect of growth hormone treatment. Prog Orthod,, 2017, Apr.

Effect of growth hormone treatment on craniofacial growth in children: idiopathic short stature versus growth hormone deficiency. J Formos Med Assoc, 2017, Apr.

– Effects of growth hormone on craniofacial growth. Angle Orthod, 2006, Nov.

Craniofacial growth. Dent Clin North Am, 2000, Jul.

– Cranial base in craniofacial development: developmental features, influence on facial growth, anomaly and molecular basis. Acta Odontol Scand, 2005, Jun.

– Growth and development: hereditary and mechanical modulations. Am J Orthod Dentofacial Orthop, 2004, Jun.

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