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Quando engolir alimentos e/ou saliva é problemático

Nas questões relativas à deglutição (o ato de engolir alimentos e mesmo a saliva), as pessoas com mais idade costumam ter dificuldade de saborear alimentos,  principalmente os de maior textura, e também limitações mastigatórias, podendo tornar difícil e desconfortável o ato de engolir.
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Isto produz uma espécie de insatisfação pessoal e de alteração da funcionalidade estética  que mexe negativamente com a autoestima e autoimagem das pessoas, muitas vezes com impactos negativos nas relações afetivas, familiares e sociais.
Para o especialista Gerson I. Köhler – da Köhler Interdisciplinar – estamos vivendo em um mundo em que o envelhecimento da população está ocorrendo de uma forma diferenciada e rápida. Os cuidados médicos em geral estão fazendo com que as pessoas consigam ficar cada vez com mais idade. Isto é muito bom, mas traz – em termos médicos e de saúde – uma problemática associada a esta questão.
Novas doenças, próprias da chamada terceira idade em diante, estão presentes de forma cada vez mais intensa e necessitam de cuidados especiais.
Os idosos – afirma Juarez Köhler, especialista associado da Köhler Interdisciplinar – costumam interpretar o processo de envelhecimento (e por consequência de natural adoecimento em diferentes áreas orgânicas) – de diferentes formas, dependendo, claro, de sua história de vida e de condições próprias de sua existência. Neste particular, para a maioria das pessoas, informa o especialista – já sob cuidados de áreas especificas tais como a geriatria e a gerontologia – a deglutição deveria continuar sendo um ato normal e espontâneo. No entanto – apesar desta interpretação aparentemente simplista, afinal deglutir parece ser apenas engolir, sejam alimentos e/ou a saliva – é uma atividade sensorial e motora de alta complexidade e com uma dinâmica muito particular, que envolve cerca de 26 pares de músculos e também a ação de 5 nervos cranianos. Portanto, não é algo tão simples assim, aliás, é uma função orgânica de alta complexidade e sujeita aos agravos inerentes ao envelhecimento natural do corpo.
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No entender do professor Gerson Köhler, esta complexidade – da deglutição, que vem logo após o ato da mastigação – se deve ao fato de que o alimento transita, num determinado trecho, por um local que é comum não só ao trato gastrointestinal (do qual a boca faz parte), mas também do trato respiratório, que cuida da função mais vital do organismo, que é a respiração, para oxigenação do sangue e do corpo como um todo.
No feto – na vida intrauterina – o reflexo da deglutição já se encontra presente a partir da 17a. semana de gestão (o bebê engole o líquido amniótico) e o reflexo da succão esta presente a partir da 20a. semana. E tal é o nível de complexidade destas funções orgânicas – acrescenta o especialista – que é somente entre a 34a. e 35a. semanas de vida intrauterina que o feto adquire as condições de coordenar succão, deglutição e respiração. Muito bem, voltemos novamente à terceira idade.
Segundo o professor Gerson I. Köhler, os chamados problemas de mastigação associados à deglutição do bolo alimentar são muito comuns em pessoas mais velhas. A deglutição – que tem como seu órgão principal a boca com todo o seu conteúdo, principalmente a língua – é assunto de vários domínios da medicina (entre outros, a odontologia, a gastroenterologia, a otorrinolaringologia e a fonoaudiologia). É, portanto, um assunto de saúde chamado de inter ou multidisciplinar.
Aqui se pode afirmar – dizem ambos os especialistas – que os distúrbios da deglutição costumam ser algo mais próprio da terceira idade (mas não só, evidentemente) assim como o próprio ato de envelhecer é, por sua vez, um fator que pode alterar a deglutição (o ato de engolir, seja saliva e/ou alimento).
A deglutição, como já referido anteriormente, diz Juarez Köhler, é um complicado processo que pode ser acompanhado por disfagia (dificuldade ou alteração do ato de engolir) e até mesmo pela temível aspiração (quando o conteúdo bucal vai, erroneamente, em direção aos pulmões). Já que falamos em disfagia – acrescenta Gerson Köhler – vamos tratar de saber um pouco mais sobre ela. Estima-se – complementa Juarez Köhler – que no ano 2020, cerca de 16,4% da população estará acima dos 65 anos de idade. Isto considerado, apesar dos grandes progressos no entendimento do que é a chamada ‘fisiologia da deglutição’ e dos significativos avanços na área terapêutica de sua manifestação patológica, a questão costuma ser delicada, quando presente em um paciente idoso e requer cuidados especiais, multi/interdisciplinares na maioria das vezes.
Para os especialistas, ainda parece existir uma aparente dificuldade em bem diagnosticar a disfagia em pacientes idosos, pelo fato de ela poder ter uma etiologia (as causas) multifatorial, isto é, não é apenas e tão somente um fator que a causa, podendo ser vários e interagindo de forma associada e a um só tempo.
Para Gerson Köhler, sob o ponto de vista de um médico odontologista, os distúrbios da mastigação e deglutição podem apresentar-se de forma insidiosa – não muito claras – fazendo parte do processo de senescência (envelhecimento) visto que os seus portadores podem ter ido se acomodando gradativamente às mudanças ocorridas, progressivamente, na forma de mastigar e de engolir este conteúdo.
Também no entender de Gerson Köhler, os avanços mais recentes nesta área altamente especializada sobre ‘como avaliar a disfagia’ passam pela identificação das possíveis alterações que ocorrem durante o ato de engolir (que é ato imediato e sequencial ao de mastigar) e que precisam ser bem diagnosticados para que surja um protocolo terapêutico efetivo e seguro. Toda a evolução diagnóstica – que, por certo, inclui a odontologia, que cuida da boca, porção inicial de todo o trato digestivo – começa com a forma de alimentar-se e de mastigar para a produção do bolo alimentar a ser deglutido. Nas áreas médicas que tratam destas questões – importantes para o bem estar e qualidade de vida das pessoas – existem diversos tipos de exames específicos para a diagnose e prescrição terapêutica. Precisam ser avaliados, concomitantemente, questões tais como efeitos colaterais de medicamentos, refluxo gastroesofágico, eventuais injúrias da região esofagiana e ainda eventuais efeitos colaterais de doenças cérebro-vasculares. O tratamento da disfagia e de todo o processo que a precede (mastigação e deglutição) precisa, para ser efetivo, ser direcionado para a causa básica do distúrbio em si.
Portanto, se você ou alguém de seus familiares mais idosos, estiver numa das situações descritas acima (que não se restringem à totalidade ledas) deve procurar, com a urgência necessária, por um médico de sua confiança, para desta forma poder usufruir, novamente de condições ideais de bem-estar e qualidade de vida.
Fontes: – Gerson I. Köhler (membro da Associação Brasileira de Gerontologia)  e Juarez Köhler são especialistas pertencentes à ABOR – Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial, entidade filiada internacionalmente à WFO – World Federation of Orthodontists, nos EUA.
– Swallowing Disorders in the Elderly. Laryngoscope, 2002, april
– Aging decreases the strenght of suprayoid muscles involved in swallowing movments. Tohoku J Exp Med, 2013
– Jaw opening exercise for insufficient opening of upperesophageal sphincter. Arch Phys Med Rehabilitation, 1999

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